quarta-feira, 22 de abril de 2009

Poema de Drummond

gosto muito desse poema;







As sem Razões do Amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.



Carlos Drummond de Andrade.

Um comentário:

  1. Fugir de regulamentos e de dicionarizações! Esta é minha vontade também com relação ao conhecimento e à avaliação.

    Aulas com poesia, filme, estética... pouco ou nenhum planejamento. O caos ensina a dissolver a avaliação, a tirar esse peso medonho que há no nome.

    Acabamos poemizando o tão pesado "Sabe-se".. ele não se tornou outra coisa? Mais cheio de vida, mais simpático? Leremos, daqui pra frente um "Sabe-se" da mesma forma? Ao menos eu rirei baixinho sempre que encontrar um...

    Gugaaa!

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